O comércio de carne de porco em 2026 foi fortemente impactado por dois acontecimentos principais: a detecção de Peste Suína Africana (PSA) em Espanha, em Novembro de 2025, e um volume de abate na China acima do esperado, à medida que o sector reduziu o seu efectivo de suínos. Estes factores alargaram a oferta disponível para exportação por parte dos principais países exportadores, o que, por sua vez, pressionou em baixa os preços internacionais da carne de porco. Grandes mercados importadores — como o Japão, a Coreia do Sul e as Filipinas — aproveitaram a ampla oferta durante o primeiro semestre de 2026. Contudo, espera-se que os elevados stocks internos reduzam o ritmo das importações até ao final do ano e ao longo de 2027, intensificando a concorrência entre os exportadores.
A PSA altera o cenário das exportações da UE
Em Novembro de 2025, Espanha registou casos de PSA em animais selvagens, a primeira ocorrência desde 1994. O comércio com diversos mercados — incluindo o Japão (segundo maior destino fora da UE), a Malásia e Taiwan — foi imediatamente interrompido. Estes três mercados mantêm, até à data, restrições à carne de porco espanhola. Por outro lado, outros importantes mercados importadores — como a China e a Coreia do Sul — adoptaram rapidamente o critério da regionalização sanitária, permitindo a entrada de carne de porco proveniente de regiões não afectadas pela doença. As Filipinas, o quinto maior mercado de Espanha fora da UE, reconheceram formalmente esta regionalização em Maio de 2026. Apesar da detecção da PSA, a produção espanhola de carne de porco cresceu até Junho deste ano, impulsionada pelo redireccionamento dos produtos para outros Estados-membros da União Europeia. A Espanha também alargou as suas exportações para a Coreia do Sul, Vietname e Estados Unidos. Outros países da UE, como a Dinamarca e a França, colmataram parcialmente o fosso deixado pela carne espanhola nos mercados com restrições, como é o caso do Japão. Este redireccionamento dos produtos espanhóis para o mercado interno da UE aumentou a oferta disponível no bloco, contribuindo para a descida dos preços da carne de porco.

Oferta abundante na China reduz importações
A China promoveu reduções significativas no seu efectivo total de suínos, aproximando o stock de reprodutoras da meta de 37,5 milhões de cabeças — um movimento alinhado com o objetivo do governo chinês de estabilizar os preços da carne de porco. No entanto, o abate na China aumentou mais do que o previsto no início de 2026, uma vez que os efectivos de suínos foram reduzidos, resultando numa oferta interna abundante de carne de porco e numa fraca procura de carne de porco importada. As importações chinesas de carne de porco caíram quase 30% até Agosto de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, com uma redução nas compras provenientes de quase todos os principais exportadores. Para 2027, prevê-se que as importações chinesas de carne de porco recuem 2%, atingindo as 820 mil toneladas.
Importadores aumentam compras face à oferta abundante
Até Julho, os valores unitários das exportações de carne de porco da União Europeia (UE) caíram quase 9%, reflectindo uma produção mais forte na UE e uma fraca procura por parte da China. Os valores unitários também recuaram 2% para a carne de porco brasileira e apresentaram uma ligeira descida para a carne de porco dos EUA. Os mercados-chave responderam aumentando as suas compras. Até Junho, as importações do Japão cresceram 5%, e as da Coreia do Sul, 18%. As importações das Filipinas registaram um aumento modesto de 1%, após um volume record em 2025 e uma recuperação da produção interna. Os stocks de carne de porco nestes países continuaram a crescer até Julho. Como resultado, o ritmo das importações abrandou de forma notável na Coreia do Sul e nas Filipinas, prevendo-se uma atenuação no caso do Japão durante o segundo semestre do ano. O elevado nível de stocks nestes mercados, somado à previsão de quebra das importações do Japão e da Coreia do Sul em 2027, tende a intensificar a concorrência entre os principais exportadores.
Perspectivas para os exportadores mundiais em 2027
Para 2027, prevê-se que as exportações globais de carne de porco se mantenham estáveis, após um crescimento de 2% em 2026. As exportações de carne de porco dos EUA em 2027 deverão ser 1% superiores às de 2026. Embora as exportações norte-americanas para o Japão, Coreia do Sul e Filipinas sejam menos concentradas do que as de outros grandes exportadores, a redução da procura de importações nestes mercados pode exercer uma pressão descendente sobre as exportações dos EUA. Além disso, a UE e o Brasil podem procurar expandir as suas vendas para mercados importantes para os EUA no Hemisfério Ocidental.
As exportações de carne de porco da UE deverão recuar para 2,95 milhões de toneladas, face a uma produção mais reduzida e a uma concorrência mais feroz nos principais mercados de exportação. Em 2025, mais de 40% das exportações de carne de porco da União Europeia (UE) tiveram como destino a Coreia do Sul, a China, o Japão e as Filipinas. Como se prevê uma desaceleração das importações da maioria destes mercados em 2027, os exportadores da UE procurarão expandir as suas vendas para outras regiões, especialmente para os mercados africanos. Os exportadores da UE poderão ainda aproveitar a quota de 10 mil toneladas métricas com isenção tarifária junto do México, estabelecida no âmbito do Acordo Global Modernizado entre a UE e o México, cuja entrada em vigor está prevista para o final de 2026. Para 2027, projecta-se um aumento de 2% nas exportações brasileiras de carne de porco — um crescimento modesto face aos anos recentes. O excesso de oferta de suínos registado no início de 2026 pressionou a rentabilidade dos produtores, o que deverá limitar as expectativas de crescimento para 2027. Em 2025, mais de 35% das exportações brasileiras de carne de suíno foram destinadas às Filipinas, ao Japão e à Coreia do Sul. Tal como a UE, o Brasil procurará, provavelmente, expandir as suas exportações para além destes mercados principais, voltando-se, em particular, para os países vizinhos da América do Sul e para os mercados de África.
9 de Outubro de 2026/ USDA/ Estados Unidos.
https://www.fas.usda.gov




